Parceria pela Primeira Infância em Boa Vista: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal lança material com síntese de ações e aprendizados
Documento enfatiza a importância da gestão intersetorial, da criação de políticas públicas baseadas em evidência e traz exemplos de iniciativas que promovem a primeira infância
Publicado em 26/01/2026 06:18, por Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

Políticas públicas baseadas em evidências e conduzidas de forma intersetorial podem apoiar a parentalidade positiva e o desenvolvimento infantil. Foi o que fez Boa Vista, município de Roraima, que elegeu a primeira infância como prioridade. Em nova publicação, lançada em janeiro de 2026, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal elenca as principais ações implementadas na Parceria pela Primeira Infância em Boa Vista, desenvolvida em conjunto com a prefeitura do município entre 2017 e 2022.
Essa cooperação teve como objetivo apoiar as políticas de primeira infância do município, que já contavam com iniciativas estruturadas, como o programa Família Que Acolhe (FQA), criado em 2013.
Agora, a síntese dos aprendizados de Boa Vista pode servir de inspiração para outros municípios. Uma sociedade que protege e garante os direitos das crianças estabelece condições para que todas tenham a oportunidade de crescer com saúde, segurança e em um ambiente que favoreça seu pleno desenvolvimento.
O documento reconstrói a trajetória do projeto e suas transformações; apresenta o modelo de implementação no município, abordando estratégias de ferramentas que fizeram a diferença. O texto também mapeia os papéis dos parceiros, destacando as contribuições nessa caminhada; e reflete sobre os desafios e aprendizados encontrados no processo.
A primeira infância como prioridade no orçamento
Entre as principais iniciativas destacadas na publicação, está a institucionalização orçamentária, que garantiu recursos no Plano Plurianual 2022 – 2025 para a primeira infância. A partir dessa inclusão, o município criou o Programa Orçamentário 78, que reuniu todas as ações voltadas a crianças de 0 a 6 anos de idade em um único código orçamentário, proporcionando mais transparência, eficiência e rastreabilidade dos investimentos.
Após incluir bebês e crianças de 0 a 6 anos no orçamento, o município instituiu um mecanismo que proíbe o remanejamento de recursos. Dessa forma garante que esses valores destinados à primeira infância sejam aplicados conforme previsto. Este movimento facilitou o planejamento e o acompanhamento intersetorial das ações, possibilitando continuidade e fortalecimento no decorrer do tempo.
Cuidar de quem cuida: é preciso apoiar a parentalidade positiva
Programas de apoio à parentalidade positiva também marcaram a parceria. Uma das estratégias fortalecidas neste âmbito foi o programa “Família Que Acolhe”. A iniciativa oferece atendimento integrado a gestantes e crianças de 0 a 6 anos. Ela reúne serviços de saúde, assistência social e educação em um mesmo espaço, com as famílias sendo acompanhadas de forma contínua.
Por meio de visitas domiciliares feitas por agentes comunitários e encontros em pequenos grupos, as famílias recebem orientações sobre desenvolvimento infantil, com especial incentivo à estimulação por meio de brincadeiras e interações positivas.
“Unimos o conhecimento científico com a prática local, ajustamos as evidências à realidade do município, e o poder público conseguiu implementar um programa eficiente, com resultados concretos. Este exemplo nos dá esperança de que ciência e políticas públicas podem caminhar juntas”, aponta Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
Assista ao vídeo e conheça um pouco mais sobre o programa “Família Que Acolhe”
Entre os principais resultados das ações de fortalecimento da parentalidade, um indicador sobressaiu: Boa Vista registrou uma taxa de mortalidade neonatal 36% menor no grupo que recebeu visitas domiciliares, em comparação ao grupo controle. Além disso, houve avanços nas práticas parentais positivas e no desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional das crianças de famílias atendidas.
Políticas públicas para a primeira infância: desafios do contexto
O documento também abriu espaço para refletir sobre os desafios do período. Entre 2017 e 2022, a cidade enfrentou a crise migratória venezuelana em Roraima e os impactos da pandemia de covid-19, mas conseguiu fortalecer sua rede de proteção e desenvolvimento infantil. Porém, os desafios mostram como fatores externos impactam diretamente no planejamento elaborado pelos municípios.
A pandemia impactou as atividades em várias frentes, em especial, nas visitas domiciliares, na rotina da educação infantil e nos encontros entre atores que não estavam em Boa Vista. Por isso, tudo precisou ser adaptado de acordo com as normas sanitárias que se impuseram para o período, provocando alguns atrasos e necessidade de mudança de planos.
Já a crise econômica e social na Venezuela transformou Boa Vista na principal porta de entrada de imigrantes no Brasil. Como consequência, a capital de Roraima passou a enfrentar maior pressão sobre suas escolas, hospitais, sistema de moradia e serviços de assistência social. Esses locais precisaram se adaptar rapidamente ao aumento da demanda.
Segundo o relatório, o grande destaque para o sucesso da iniciativa conjunta pela primeira infância em Boa Vista foi a comunicação e a integração das equipes. O documento também aponta a participação de diferentes esferas de governo e de organizações da sociedade civil como elementos de destaque.
“É fundamental garantir que todos os envolvidos estejam alinhados e compreendam tanto os objetivos quanto a realidade das iniciativas propostas. Isso reduz os riscos de ruídos de comunicação, sobreposição de esforços e concorrência entre ações similares e maximiza o impacto da intervenção no território”, aponta o documento.
Educação infantil: investimento desde o começo da vida
A parceria teve início com a realização de um planejamento estratégico integral da política de primeira infância, envolvendo diferentes áreas. O município revisitou avanços e desafios, estruturou uma teoria de mudança com objetivos pactuados e definiu como meta tornar-se a capital da primeira infância. Esse planejamento garantiu que as iniciativas fossem monitoradas, aprimoradas e adaptadas às necessidades da população. As lideranças do município e o Comitê Intersetorial da Primeira Infância ficaram responsáveis por monitorar metas, ajustar práticas e integrar setores do poder público municipal.
A construção de um currículo inovador e contextualizado para a educação infantil transformou a educação municipal, proporcionando às crianças uma base sólida para seu desenvolvimento. Sua implementação nas creches e pré-escolas abriu caminhos para o fortalecimento do aprendizado nesta etapa e nas subsequentes.

Alinhada à Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e ao currículo, Boa Vista aplicou ferramentas para avaliar as condições de oferta e a aprendizagem das crianças, identificar necessidades e orientar decisões. Um sistema de monitoramento foi entregue para acompanhar a qualidade da educação infantil.
Resultados da parceria pela primeira infância em Boa Vista/RR
Os resultados apresentados são reflexo de um trabalho coletivo que envolveu gestores, especialistas, famílias e comunidade. A experiência de Boa Vista reforça que investir na primeira infância é o caminho para um futuro mais justo, saudável e promissor. Cada avanço reafirma a importância de manter esse compromisso, colocando bebês e crianças de 0 a 6 anos de idade no centro das decisões.
O investimento em políticas baseadas em evidências científicas, aliado à colaboração entre diferentes setores da sociedade e ao engajamento da comunidade, pode gerar transformações duradouras, desde mudanças estruturais na gestão pública até o fortalecimento da parentalidade e o aprimoramento da educação infantil.
O compromisso de um município com a primeira infância mostra como o investimento no desenvolvimento infantil é a chave para um futuro mais equitativo e sustentável para todos.
Além da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e da Prefeitura de Boa Vista, integraram essa parceria o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Grand Challenges Canada, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da Universidade de São Paulo (Lepes/USP), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Ágora Consultores Associados, Trajetórias Planejamento e Desenvolvimento Institucional e Consórcio Dialógica e Oliva Planejamento e Desenvolvimento Institucional.
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